Talvez nem todos saibam - mas muitos de nós napolitanos, ao contrário, sabemos - que nossa cidade não tem apenas São Januário como santo padroeiro, mas tem nada menos que cinquenta e dois. Pois é, cinquenta e dois padroeiros oficiais, cada um com sua própria área de competência, um pouco como na época pagã, em que cada divindade era responsável por sua área de atuação. Eles não eram misericordiosos, mas exigiam sacrifícios para serem "aplacados". Sobre a relação dos napolitanos com os santos falou magistralmente Sándor Márai, um escritor húngaro, que veio como "exilado voluntário" a Nápoles no período do pós-guerra, para fugir da censura. Ele falou sobre isso no livro "O sangue de São Januário", que certamente merece uma leitura. A relação com São Januário, em particular, foi então interpretada, também magistralmente, por Nino Manfredi no filme "Operação São Januário", quando pede ao santo padroeiro para ajudá-lo a roubar a mitra, e por Massimo Troisi, quando, sentindo-se ameaçado por Lello Arena, que se aproxima do busto, pede "o tratamento", e ordena ao padroeiro que não ouça o recém-chegado, que o trai com São Ciro.
Portanto, além desses cinquenta e dois padroeiros, que nos assistem nos momentos difíceis (obviamente, em troca de ofertas), temos ainda outro padroeiro: a bola. Não Maradona, não o time de futebol do Napoli, mas justamente o super santos. Com o super santos as crianças brincam na rua, desde pequenas, ocupando um espaço e transformando-o em uma área criativa, onde podem jogar, se reunir, aprender a ser em equipe, mas sobretudo fazer sentir sua presença.
Tente olhar ao seu redor: nós não temos árvores de Natal com bolas e laços de decoração, nós temos árvores com super santos presos entre os galhos.
Quantas boladas já levamos, nós napolitanos, andando pela rua? Quantas vezes tivemos que desviar? Quantos vidros foram quebrados? E tudo bem, o que é isso afinal? Por um padroeiro deve-se suportar isso e muito mais. O super santos já salvou muitos garotos.
Que horror quando alguém pensou em proibir jogar bola na frente das igrejas, que horror! Uma heresia.
Aliás, o próprio nome já diz: super santos. "Super" porque nossos padroeiros são um pouco como as divindades pagãs, como super-heróis. Não são misericordiosos, mas têm superpoderes. E "santos" porque é santo, justamente! E não vamos esquecer o hino que lhe foi dedicado por Tony Tammaro, que você pode ouvir aqui!

