Vocês sabem quando e por que nascem os nichos sagrados, em Nápoles? A cidade está cheia deles, há milhares. E, no entanto, inicialmente, esses pequenos altares não eram lugares de culto, mas tinham a função de iluminar os becos. Padre Rocco, portanto, na realidade cria a primeira obra de street art. Com o passar do tempo, então, os nichos se tornaram verdadeiros lugares de culto, dedicados não só à Madonna, mas também a outros santos. Desses lugares de culto não cuidavam tanto as instituições, mas sim as famílias do bairro. Em Nápoles, a maioria dos nichos traz como data de fundação o ano de 1884, porque os napolitanos os dedicaram aos santos, como uma espécie de ex-voto, por terem se salvado da epidemia de cólera. Muitos foram danificados pelos bombardeios de 1943, ano em que a cidade foi devastada primeiro pelos americanos e depois pelos alemães, para então pôr fim à guerra expulsando as tropas alemãs durante as Quatro Jornadas (27 de setembro - 1 de outubro de 1943). Também trazem a data da restauração, que para muitos nichos ocorreu entre 1945 e 1947. E, geralmente, quem paga pela restauração é uma família do bairro, ou alguns moradores, que assinam com seus apelidos, como acontece com um dos nichos sagrados nos bairros espanhóis, do qual cuidam “Titinella e Spalluzzella”. Frequentemente, dentro de um nicho, encontramos também as imagens dos falecidos da família que o mandou construir, para que aquelas pobres almas sejam protegidas pelo santo. E encontramos também ex-votos, os objetos de prata que geralmente se deixam aos santos em sinal de devoção. Mas observemos também a estrutura desses pequenos altares: a que se parecem? O termo “edicola” deriva de “aedes”, que significa “templo”. De fato, nas antigas domus romanas já existiam esses pequenos templos, dedicados aos lares, entidades protetoras da casa. Era, o dos lares e penates, um culto semelhante ao das divindades, mas mais íntimo, mais “familiar”. Assim como os nichos sagrados. Hoje em Nápoles há muitos nichos também profanos, como aqueles dedicados a Maradona ou a Totò. Há, entre todos, o meu nicho preferido. É aquele que fica em frente ao Pallonetto Santa Chiara, no cruzamento com a via Santa Chiara. Ali as duas dimensões – sagrado e profano – estão presentes, graças a um pôster de Pulcinella, uma obra de street art do fotógrafo Fabio Calvetti. No instagram seu apelido é “olossolo”, suas fotos de um espetáculo de Pulcinella estão nos muros napolitanos, perfeitamente em sintonia com o contexto. O Pulcinella na via Santa Chiara parece se dirigir à Madonna do nicho como um mendigo, como alguém que pede algumas moedas. E, se pensarmos bem, quando pedimos algo aos santos, não assumimos, mais ou menos, a mesma atitude? Vocês sabem quando e por que nascem os nichos sagrados, em Nápoles? A cidade está cheia deles, há milhares. E, no entanto, inicialmente, esses pequenos altares não eram lugares de culto, mas tinham a função de iluminar os becos. Padre Rocco, portanto, na realidade cria a primeira obra de street art. Com o passar do tempo, então, os nichos se tornaram verdadeiros lugares de culto, dedicados não só à Madonna, mas também a outros santos. Desses lugares de culto não cuidavam tanto as instituições, mas sim as famílias do bairro. Em Nápoles, a maioria dos nichos traz como data de fundação o ano de 1884, porque os napolitanos os dedicaram aos santos, como uma espécie de ex-voto, por terem se salvado da epidemia de cólera. Muitos foram danificados pelos bombardeios de 1943, ano em que a cidade foi devastada primeiro pelos americanos e depois pelos alemães, para então pôr fim à guerra expulsando as tropas alemãs durante as Quatro Jornadas (27 de setembro - 1 de outubro de 1943). Também trazem a data da restauração, que para muitos nichos ocorreu entre 1945 e 1947. E, geralmente, quem paga pela restauração é uma família do bairro, ou alguns moradores, que assinam com seus apelidos, como acontece com um dos nichos sagrados nos bairros espanhóis, do qual cuidam “Titinella e Spalluzzella”. Frequentemente, dentro de um nicho, encontramos também as imagens dos falecidos da família que o mandou construir, para que aquelas pobres almas sejam protegidas pelo santo. E encontramos também ex-votos, os objetos de prata que geralmente se deixam aos santos em sinal de devoção. Mas observemos também a estrutura desses pequenos altares: a que se parecem? O termo “edicola” deriva de “aedes”, que significa “templo”. De fato, nas antigas domus romanas já existiam esses pequenos templos, dedicados aos lares, entidades protetoras da casa. Era, o dos lares e penates, um culto semelhante ao das divindades, mas mais íntimo, mais “familiar”. Assim como os nichos sagrados. Hoje em Nápoles há muitos nichos também profanos, como aqueles dedicados a Maradona ou a Totò. Há, entre todos, o meu nicho preferido. É aquele que fica em frente ao Pallonetto Santa Chiara, no cruzamento com a via Santa Chiara. Ali as duas dimensões – sagrado e profano – estão presentes, graças a um pôster de Pulcinella, uma obra de street art do fotógrafo Fabio Calvetti. No instagram seu apelido é “olossolo”, suas fotos de um espetáculo de Pulcinella estão nos muros napolitanos, perfeitamente em sintonia com o contexto. O Pulcinella na via Santa Chiara parece se dirigir à Madonna do nicho como um mendigo, como alguém que pede algumas moedas. E, se pensarmos bem, quando pedimos algo aos santos, não assumimos, mais ou menos, a mesma atitude?
A ideia foi de um pároco dominicano de Massa Lubrense, Padre Gregorio Maria Rocco, e nasceu, um pouco como todas as tradições napolitanas, de uma necessidade real: iluminar os becos. Na época, de fato, estamos falando do século XVIII, no período borbônico, as ruas eram escuras e havia o perigo de furtos.
O pároco, então, pensou em colocar nas paredes algumas imagens da Madonna. Ele sabia, de fato, que os fiéis as iluminariam com velas. Foi justamente nessa ocasião, ao que parece, que nasceu o modo de dizer, que depois se tornou comum em napolitano, “C''a Maronna t'accumpagne!”, um desejo dado a quem iniciava seu caminho de viajante.
A ideia foi de um pároco dominicano de Massa Lubrense, Padre Gregorio Maria Rocco, e nasceu, um pouco como todas as tradições napolitanas, de uma necessidade real: iluminar os becos. Na época, de fato, estamos falando do século XVIII, no período borbônico, as ruas eram escuras e havia o perigo de furtos.
O pároco, então, pensou em colocar nas paredes algumas imagens da Madonna. Ele sabia, de fato, que os fiéis as iluminariam com velas. Foi justamente nessa ocasião, ao que parece, que nasceu o modo de dizer, que depois se tornou comum em napolitano, “C''a Maronna t'accumpagne!”, um desejo dado a quem iniciava seu caminho de viajante.

