Hoje começa uma nova seção: os reis de Nápoles! As estátuas dos reis de Nápoles estão localizadas na fachada do Palácio Real, na Piazza del Plebiscito, e foram colocadas lá por vontade do rei Umberto I, em 1888. O primeiro rei de Nápoles é Rogério II, o Normando, e a ele, de fato, é dedicada a primeira estátua, obra de Emilio Franceschi. Os normandos foram inicialmente recrutados pelo duque Sérgio IV, em 1027, para se livrar da pressão crescente dos lombardos. Para recompensá-los, ele lhes doou uma terra, que os normandos chamaram de "Aversa", porque era hostil tanto a Nápoles quanto a Cápua. De Aversa eles se expandiram rapidamente, até sitiarem, em 1130, a cidade de Nápoles. Trata-se de Rogério da Sicília, que derrota os últimos fiéis do duque Sérgio VIII e nove anos depois recebe as chaves da cidade. O ano Rogério, o Normando, foi um rei sábio, mas impôs uma organização unitária ao reino. Isso não permitiu que a classe burguesa napolitana se tornasse autônoma, nem que a cidade de Nápoles evoluísse como um município livre. Durante o reinado dos normandos foram construídos o Castel dell'Ovo (residência na época de Rogério, o Normando) e o Castel Capuano (residência posterior, desejada por Guilherme I, o Normando, também para conciliar a necessidade de uma residência com a de um posto militar). No próximo episódio sobre os reis de Nápoles falaremos de como o poder passou para os suevos.
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Segundo episódio da seção dos #ReDiNapoli Hoje falamos dos Suevos e, em particular, de Frederico II de Suábia. Sua estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é uma obra de Emanuele Caggiano. Frederico Rogério de Hohenstaufen entra em Nápoles por ser descendente, por parte de mãe, dos normandos de Altavila. Seu reinado é caracterizado por um governo moralizador, os privilégios e liberdades medievais são suprimidos. Frederico será várias vezes obstaculizado pela igreja, e chegou a receber duas excomunhões do papa Gregório IX, que o chamava de anticristo. Frederico conseguiu, de qualquer forma, realizar diversas obras no reino: em Nápoles reconstruiu as muralhas e incrementou o comércio, limitando o poder de seu representante local, o "compalazzo", ao qual associou uma cúria composta por cinco juízes e oito notários. Mas sua maior obra é certamente a instituição do Studium Generale, em 1224. Trata-se da universidade de Nápoles, a primeira universidade laica da Itália, que leva o nome de Frederico II. O reino dos Suevos terminará em 1266, com a chegada dos angevinos. A passagem de poder será marcada por um evento trágico, que ficará para sempre na memória dos napolitanos: a decapitação, em 1268, na Piazza Mercato, de Conradino de Suábia, um garoto de apenas 14 anos. Mas dos angevinos falaremos no próximo episódio da seção! Até breve!
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Terceiro episódio da seção dedicada aos #ReDiNapoli! A terceira estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada a Carlos de Anjou, e é uma obra de Tommaso Solari. O soberano é representado com uma expressão feroz, e de fato seu caráter não era nada dócil. Os napolitanos, após a morte de Frederico II de Suábia, começaram a mostrar sinais de impaciência em relação ao império, rebelaram-se contra os governadores e Nápoles tornou-se um município livre sob a proteção do Papa Inocêncio IV. A igreja, aproveitando o descontentamento popular, introduziu conventos de franciscanos e dominicanos na cidade, e serviu-se justamente do francês Carlos de Anjou, em 1266, para eliminar também os últimos vestígios do poder dos gibelinos. Isso aconteceu em 1268, com a decapitação de Conradino de Suábia na Piazza Mercato. A capital é transferida de Palermo para Nápoles, no período angevino serão construídas muitas igrejas em Nápoles, como o Duomo, San Lorenzo, Sant'Eligio, Santa Chiara, San Domenico, e a relação dos napolitanos com a religião será consolidada, difundindo, porém, entre a população também o fanatismo e a superstição. Escultores como Tino da Camaino e pintores como Giotto e Simone Martini vieram a Nápoles trabalhar nos locais de culto. Floresceu também a construção civil, com a construção do Castel Nuovo, que se tornou a nova residência real dos angevinos, e do Castel Sant'Elmo. As classes médias da cidade demoraram a emergir. Carlos acentuou a componente feudal, as necessidades das classes mais baixas da população não encontravam nenhum representante nos altos escalões. O descontentamento levará, em 1282, à revolta dos Vésperas na Sicília, que antecipará o surgimento de uma nova dominação, a aragonesa, da qual falaremos no próximo episódio. Carlos de Anjou foi sucedido por Carlos II, o Coxo, e depois por Roberto de Anjou. Este trouxe à corte personalidades como Francesco Petrarca, mas ao florescimento das artes não correspondeu uma grande capacidade governativa. Os impostos eram muito altos, assim como os custos da política externa. O banditismo, a Inquisição, a peste de 1348 e a confusão dos anos seguintes à morte do rei Roberto e ligados às duas Joanas aceleraram a entrada dos aragoneses na cidade, que ocorreu em 1442.
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Quarto episódio da seção sobre os #redinapoli! A quarta estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada ao rei aragonês Afonso de Aragão, chamado "O Magnânimo". Trata-se de uma obra de Achille D'Orsi. Como chegou Afonso de Aragão a Nápoles? No portal do Castel Nuovo, esplêndida obra de Pietro De Martino a partir dos desenhos de Francesco Laurana, está representada a entrada triunfal na cidade de Afonso, transportado no carro da vitória. Também na sala dos fastos aragoneses, a segunda antecâmara do Palácio Real, encontramos, nos afrescos do teto, a mesma cena. A realidade, porém, é um pouco diferente. Afonso de Aragão, após um longo cerco à cidade de Nápoles, foi até uma senhora que morava na zona "extra moenia", tal "donna Ceccarella", e lhe prometeu uma pensão vitalícia em troca de um pequeno favor: permitir-lhe acessar os subterrâneos napolitanos, entrando pelo poço do jardim. Assim fez, e surgiu, através dos túneis do aqueduto, dentro das muralhas. Sua entrada em Nápoles, portanto, foi tudo menos triunfal, e mais parecida com a de um rato de esgoto. Durante o reinado de Afonso floresceu a política externa, Nápoles era o centro do vasto domínio mediterrâneo. Desenvolveu-se a produção de lã e seda. Ao mesmo tempo, arte e literatura viveram um momento particularmente próspero. Basta pensar em personagens como o Panormita e Giovanni Pontano, ou como o Pinturicchio e o Perugino, que trabalharam em Nápoles nesta época. A política de Afonso, porém, foi orientada a favorecer os barões e eliminou o assento do povo; além disso, o soberano era muito religioso - pense que se gabava de ter lido a Bíblia inteira quarenta vezes - e buscou uma devota aliança com o pontífice romano, também para derrotar os angevinos e turcos. O luxo e o esplendor das festas comprometiam a situação econômica do reino, e o favor de Afonso continuava a pender para os barões e feudatários, aos quais concedeu vários favores, sentindo-se chantageado pela ameaça de rebeliões. Os feudatários mandavam nas áreas rurais, agiam com prepotência, e isso provocava a indignação dos comerciantes vindos de outras regiões da Itália que visitavam o reino. O desenvolvimento da marinha permaneceu praticamente parado, na época aragonesa. A Afonso, o Magnânimo, seguiu-se Ferrante, que tentou conquistar a confiança dos napolitanos com uma política voltada à promoção cultural e urbanística da cidade, apesar de ser um homem indiferente à cultura. Ferrante dedicou-se ao desenvolvimento do artesanato, chamando à corte de toda a Itália os maiores fabricantes de seda, ourives e curtidores, e cercou Nápoles com vinte e duas torres cilíndricas, a saneou e melhorou a administração da justiça. Contra ele, porém, conspiraram os barões, que, motivados pelo aumento dos impostos, se reuniram na famosa conspiração, em 1485. Ferrante os descobriu e os mandou executar ou os exilou na França no ano seguinte. O domínio aragonês estava, naqueles anos, minado pelas grandes potências europeias, que disputavam o território italiano. Após a morte de Ferrante, a coroa passou em poucos anos para Afonso II e depois para Ferrantino, sendo então ameaçada por Carlos VIII, Rei da França, pertencente à casa dos angevinos, chamado à Itália por Ludovico, o Mouro. Afastada a ameaça francesa, Ferrantino foi chamado de volta, e depois dele a coroa foi novamente para Frederico III, o último dos aragoneses, que tentou governar com inteligência e cautela. O domínio aragonês em Nápoles terminará, porém, em 1503, quando Fernando, o Católico, conquistará o reino graças a Dom Gonçalo de Córdoba, e Nápoles será reduzida a uma província periférica no imenso império espanhol. Mas disso falaremos no próximo episódio...
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Quinto episódio da seção sobre os #redinapoli! A quinta estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada a Carlos V e é obra de Vincenzo Gemito. Carlos herdou em 1506 o reino de Castela e as terras do Novo Mundo de seu pai Filipe de Habsburgo, o Belo, arquiduque da Áustria e senhor dos Países Baixos. Carlos tinha apenas seis anos, na época, e portanto o reino foi administrado pelo avô materno, Fernando, o Católico, até atingir a maioridade. Em 28 de junho de 1519 foi eleito Sacro Imperador Romano com o nome de Carlos V e em 1529, após a batalha de Pavia e o saque de Roma, impôs a paz de Cambrai à França e a de Barcelona ao pontífice, afirmando seu domínio também na Itália, e recebendo, no ano seguinte, a coroa de ferro de rei da Itália e a coroa imperial do Papa Clemente VII. O império de Carlos V compreendia grande parte da península italiana: Nápoles, Palermo, Cagliari, Milão, Gênova, Florença e as capitais dos ducados do Pó, e era baseado numa ideia de paz universal, garantida pelo cristianismo. Nápoles perde o papel de capital e decai ao de província, o governo é confiado aos vice-reis espanhóis. O primeiro, e o mais importante, é certamente Dom Pedro de Toledo, que governou Nápoles por vinte anos, de 1532 a 1553. Dom Pedro implementou um verdadeiro plano urbanístico em Nápoles: construiu a rua que leva seu nome, instalando as tropas espanholas no bairro de Montecalvario, naqueles que depois foram chamados de "bairros espanhóis". Estendeu a muralha até Vomero e Chiaia, e restaurou algumas das fortalezas napolitanas, como o Castel Sant'Elmo, que assumiu a forma de estrela de seis pontas, a mesma que vemos hoje. A Pedro de Toledo também se devem a instituição do tribunal da Vicaria, que em dezoito anos enforcou cerca de dezoito mil bandidos locais, e a dos Montes de Piedade (organismos formados por , que o vice-rei institui para resolver o problema da multidão de agiotas judeus na cidade. A política em relação aos barões foi tendencialmente severa: estes haviam sido reduzidos a simples proprietários de terras, e viviam muitas vezes de renda, longe dos feudos, dissipando seu patrimônio entre luxo e ostentação, mas Pedro de Toledo implementou uma série de pragmáticas contra eles, para combater abusos no âmbito comercial e jurídico. Infelizmente, porém, a corrupção também se espalhava entre os magistrados, e portanto as ações punitivas dos vice-reis muitas vezes não tinham efeito. Criminalidade e usura se difundiram facilmente na cidade. A política conduzida pelos vice-reis era muito menos severa, além disso, em relação aos próprios soldados espanhóis, que estabeleceram com a plebe napolitana relações de promiscuidade, contagiando-os tanto com defeitos espanhóis - como palavrões e superstição - quanto com doenças. Muitos termos de origem espanhola no dialeto napolitano datam justamente deste período. Proliferaram conventos e igrejas, e apesar da proibição - desde 1566 - de construir fora das muralhas, devido ao crescimento demográfico desmedido, formaram-se núcleos habitados em Mergellina, nos Vergini, em Sant'Antonio Abate, na Avvocata e em outros bairros napolitanos. Mesmo após a morte de Pedro de Toledo, na verdade, para Nápoles veio um período nada próspero. No decorrer do século XVII floresceram as artes, com o barroco napolitano e com a presença de artistas como Cosimo Fanzago e Michelangelo Merisi da Caravaggio em Nápoles, mas a plebe viveu uma situação de prolongada miséria, agravada também pelas numerosas epidemias de peste. GuzmánGuzmánEm 1643, por obra do vice-rei Ramiro de Guzmán, que se casou com a nobre Anna Carafa, foram tornadas transitáveis as rampas de Sant'Antonio a Posillipo, ligação entre a colina e a cidade baixa, justamente onde ficava o palácio Donn'Anna, construído por Cosimo Fanzago para Anna Carafa. Poucos anos depois, em 1647, o povo napolitano, incitado pelo jovem Masaniello, se unirá em uma revolta popular, devido a um imposto sobre frutas, e portanto sobre um bem primário. À revolta de Masaniello seguiu-se a terrível peste de 1656, que, além de dizimar a população, fez nascer, em Nápoles, o "culto das capuzzelle". O século XVIII trouxe o fim do período do vice-reinado e introduziu a dinastia bourbon, que governou até a unificação da Itália. Antes da chegada dos Bourbons a Nápoles haverá um parêntese (de 1707 a 1734) de domínio austríaco, pouco significativo para a cidade. O resto descobriremos no próximo episódio...
(Fonte: "La storia di Napoli" de Antonio Ghirelli)





Hoje começa uma nova coluna: os reis de Nápoles! As estátuas dos reis de Nápoles estão localizadas na fachada do Palácio Real, na Piazza del Plebiscito, e foram colocadas lá por vontade do rei Umberto I, em 1888. O primeiro rei de Nápoles é Rogério II, o Normando, e a ele, de fato, é dedicada a primeira estátua, obra de Emilio Franceschi. Os normandos foram inicialmente recrutados pelo duque Sérgio IV, em 1027, para se livrar da pressão crescente dos lombardos. Para recompensá-los, ele lhes doou uma terra, que os normandos chamaram de "Aversa", porque era hostil tanto a Nápoles quanto a Cápua. De Aversa, eles se expandiram rapidamente, até sitiar, em 1130, a cidade de Nápoles. Trata-se de Rogério da Sicília, que derrotou os últimos fiéis do duque Sérgio VIII e nove anos depois recebeu as chaves da cidade. O ano Rogério, o Normando, foi um rei sábio, mas impôs uma organização unitária do reino. Isso não permitiu que a classe burguesa napolitana se tornasse autônoma, e que a cidade de Nápoles evoluísse como um município livre. Durante o reinado dos normandos foram construídos o Castel dell'Ovo (residência na época de Rogério, o Normando) e o Castel Capuano (residência posterior, desejada por Guilherme I, o Normando, também para conciliar a necessidade de uma residência com a de uma guarnição militar). No próximo episódio sobre os reis de Nápoles, falaremos sobre como o poder passou para os suevos. *************************************************************************************Segundo episódio da coluna dos #ReDiNapoli Hoje falamos dos Suevos e, em particular, de . Sua estátua na fachada do palácio real de Nápoles é uma obra de Emanuele Caggiano. Frederico Rogério de Hohenstaufen entra em Nápoles por ser descendente, por parte de mãe, dos normandos de Altavila. Seu reinado é caracterizado por um governo moralizador, os privilégios e liberdades medievais são suprimidos. Frederico foi várias vezes obstaculizado pela igreja, e chegou a receber duas excomunhões do papa Gregório IX, que o chamava de anticristo. Frederico conseguiu, de qualquer forma, realizar várias obras no reino: em Nápoles reconstruiu as muralhas e incrementou o comércio, limitando o poder de seu representante local, o "compalazzo", ao qual associou uma cúria composta por cinco juízes e oito notários. Mas sua maior obra é certamente a instituição do Studium Generale, em 1224. Trata-se da universidade de Nápoles, a primeira universidade laica da Itália, que leva o nome de Frederico II. O reino dos Suevos terminará em 1266, com a chegada dos angevinos. A passagem de poder será marcada por um evento trágico, que ficará para sempre na memória dos napolitanos: a decapitação, em 1268, na Piazza Mercato, de Corradino de Suábia, um menino de apenas 14 anos. Mas dos angevinos falaremos no próximo episódio da coluna! Até breve! ***************************************************************************************Terceiro episódio da coluna dedicada aos #ReDiNapoli! A terceira estátua na fachada do palácio real de Nápoles é dedicada a , e é uma obra de Tommaso Solari. O soberano é representado com uma expressão feroz, e de fato seu caráter não era nada dócil. Os napolitanos, após a morte de Frederico II de Suábia, começaram a mostrar sinais de impaciência em relação ao império, rebelaram-se contra os governadores e Nápoles tornou-se um município livre sob a proteção do Papa Inocêncio IV. A igreja, aproveitando o descontentamento popular, introduziu conventos de franciscanos e dominicanos na cidade, e serviu-se justamente do francês Carlos de Anjou, em 1266, para eliminar também os últimos vestígios do poder dos gibelinos. Isso aconteceu em 1268, com a decapitação de Corradino de Suábia na Piazza Mercato. A capital é transferida de Palermo para Nápoles, no período angevino serão construídas muitas igrejas em Nápoles, como o duomo, San Lorenzo, Sant'Eligio, Santa Chiara, San Domenico, e a relação dos napolitanos com a religião será consolidada, difundindo, porém, também o fanatismo e a superstição entre a população. Escultores como Tino da Camaino e pintores como Giotto e Simone Martini vieram a Nápoles trabalhar nos locais de culto. Floresceu também a construção civil, com a construção do Castel Nuovo, que se tornou a nova residência real dos angevinos, e do Castel Sant'Elmo. As classes médias da cidade demoraram a emergir. Carlos acentuou a componente feudal, as necessidades das classes mais baixas da população não encontravam nenhum representante nos altos escalões. O descontentamento levará, em 1282, à revolta dos Vésperas na Sicília, que antecipará o surgimento de uma nova dominação, a aragonesa, da qual falaremos no próximo episódio. Carlos de Anjou foi sucedido por Carlos II, o Coxo, e depois por Roberto de Anjou. Este trouxe à corte personalidades como Francesco Petrarca, mas ao florescimento das artes não correspondeu uma grande capacidade governativa. Os impostos eram muito altos, assim como os custos da política externa. O banditismo, a Inquisição, a peste de 1348 e a confusão dos anos seguintes à morte do rei Roberto e ligados às duas Joanas aceleraram a entrada dos aragoneses na cidade, que ocorreu em 1442.***************************************************************************************Quarto episódio da coluna sobre os #redinapoli! A quarta estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada ao rei aragonês, chamado "O Magnânimo". Trata-se de uma obra de Achille D'Orsi. Como Alfonso de Aragão chegou a Nápoles? No portal do Castel Nuovo, esplêndida obra de Pietro De Martino a partir dos desenhos de Francesco Laurana, está representada a entrada triunfal na cidade de Alfonso, transportado no carro da vitória. Também na sala dos fastos aragoneses, a segunda antecâmara do Palácio Real, encontramos, nos afrescos do teto, a mesma cena. A realidade, porém, é um pouco diferente. Alfonso de Aragão, após um longo cerco à cidade de Nápoles, foi até uma senhora que morava na zona "extra moenia", tal "donna Ceccarella", e lhe prometeu uma pensão vitalícia em troca de um pequeno favor: permitir-lhe acessar os subterrâneos napolitanos, entrando pelo poço do jardim. Assim fez, e surgiu, através dos túneis do aqueduto, dentro das muralhas. Sua entrada em Nápoles, portanto, foi tudo menos triunfal, e mais parecida com a de um rato de esgoto. Durante o reinado de Alfonso floresceu a política externa, Nápoles era o centro do vasto domínio mediterrâneo. Desenvolveu-se a produção de lã e seda. Ao mesmo tempo, arte e literatura viveram um momento particularmente próspero. Basta pensar em personagens como o Panormita e Giovanni Pontano, ou como o Pinturicchio e o Perugino, que trabalharam em Nápoles nessa época. A política de Alfonso, porém, foi orientada a favorecer os barões e eliminou o assento do povo; além disso, o soberano era muito religioso - pense que se gabava de ter lido a Bíblia inteira quarenta vezes - e buscou uma devota aliança com o pontífice romano, também para derrotar angevinos e turcos. O luxo e o esplendor das festas comprometiam a situação econômica do reino, e o favor de Alfonso continuava a pender para barões e feudatários, aos quais concedeu vários favores, sentindo-se chantageado pela ameaça de rebeliões. Os feudatários mandavam nas zonas rurais, agiam com prepotência, e isso provocava a indignação dos mercadores vindos de outras regiões da Itália que visitavam o reino. O desenvolvimento da marinha permaneceu praticamente parado, na época aragonesa. A Alfonso, o Magnânimo, sucedeu Ferrante, que tentou conquistar a confiança dos napolitanos com uma política voltada para a promoção cultural e urbanística da cidade, apesar de ser um homem indiferente à cultura. Ferrante dedicou-se ao desenvolvimento do artesanato, chamando à corte de toda a Itália os maiores fabricantes de seda, ourives e curtidores, e cercou Nápoles com vinte e duas torres cilíndricas, saneou-a e melhorou a administração da justiça. Contra ele, porém, conspiraram os barões, que, motivados pelo aumento dos impostos, se reuniram na famosa conspiração, em 1485. Ferrante os descobriu e os mandou executar ou exilar na França no ano seguinte. O domínio aragonês estava, naqueles anos, minado pelas grandes potências europeias, que disputavam o território italiano. Após a morte de Ferrante, a coroa passou em poucos anos a Alfonso II e depois a Ferrantino, foi então ameaçada por Carlos VIII, Rei da França, pertencente à casa dos angevinos, chamado à Itália por Ludovico, o Mouro. Afastada a ameaça francesa, Ferrantino foi chamado de volta, e depois dele a coroa foi novamente para Frederico III, o último dos aragoneses, que tentou governar com inteligência e cautela. O domínio aragonês em Nápoles terminará, porém, em 1503, quando Fernando, o Católico, conquistará o reino graças a Dom Consalvo de Córdoba, e Nápoles será reduzida a uma província periférica no imenso império espanhol. Mas disso falaremos no próximo episódio...************************************************************************************Quinto episódio da coluna sobre os #redinapoli! A quinta estátua na fachada do palácio real de Nápoles é dedicada a e é obra de Vincenzo Gemito. Carlos herdou em 1506 o reino de Castela e as terras do Novo Mundo do pai Filipe de Habsburgo, o Belo, arquiduque da Áustria e senhor dos Países Baixos. Carlos tinha apenas seis anos, na época, e portanto o reino foi administrado pelo avô materno, Fernando, o Católico, até atingir a maioridade. Em 28 de junho de 1519 foi eleito Sacro Imperador Romano com o nome de Carlos V e em 1529, após a batalha de Pavia e o saque de Roma, impôs a paz de Cambrai à França e a de Barcelona ao pontífice, afirmando seu domínio também na Itália, e recebendo, no ano seguinte, a coroa de ferro de rei da Itália e a coroa imperial do Papa Clemente VII. O império de Carlos V compreendia grande parte da península italiana: Nápoles, Palermo, Cagliari, Milão, Gênova, Florença e as capitais dos ducados do Pó e era baseado numa ideia de paz universal, garantida pelo cristianismo. Nápoles perde o papel de capital e decai ao de província, o governo é confiado aos vice-reis espanhóis. O primeiro, e o mais importante, é certamente Dom Pedro de Toledo, que governou Nápoles por vinte anos, de 1532 a 1553. Dom Pedro implementou um verdadeiro plano urbanístico em Nápoles: construiu a rua que leva seu nome, alojando as tropas espanholas no bairro de Montecalvario, naqueles que depois foram chamados de "bairros espanhóis". Estendeu a muralha até Vomero e Chiaia, e restaurou algumas das fortalezas napolitanas, como o Castel Sant'Elmo, que assumiu a forma de estrela de seis pontas, a mesma que vemos hoje. A Pedro de Toledo também se devem a instituição do tribunal da Vicaria, que em dezoito anos enforcou cerca de dezoito mil bandidos locais, e a dos Montes de Piedade (organismos formados por , que o vice-rei instituiu para resolver o problema da multidão de agiotas judeus na cidade. A política em relação aos barões foi tendencialmente severa: estes haviam sido reduzidos a simples proprietários de terras, e viviam muitas vezes de renda, longe dos feudos, dissipando seu patrimônio entre luxo e ostentação, mas Pedro de Toledo implementou uma série de pragmáticas contra eles, para combater abusos no âmbito comercial e jurídico. Infelizmente, porém, a corrupção também se espalhava entre os magistrados, e portanto as ações punitivas dos vice-reis muitas vezes não tinham efeito. Criminalidade e usura se difundiram facilmente na cidade. A política conduzida pelos vice-reis era muito menos severa, além disso, em relação aos próprios soldados espanhóis, que estabeleceram com a plebe napolitana relações de promiscuidade, contagiando-os tanto com os defeitos espanhóis - como palavrões e superstição - quanto com doenças. Muitos termos de origem espanhola no dialeto napolitano datam justamente desse período. Proliferaram conventos e igrejas, e apesar da proibição - desde 1566 - de construir fora das muralhas, devido ao crescimento demográfico desmedido, formaram-se núcleos habitados em Mergellina, nos Vergini, em Sant'Antonio Abate, na Avvocata e em outros bairros napolitanos. Mesmo após a morte de Pedro de Toledo, na verdade, para Nápoles veio um período nada próspero. No decorrer do século XVII floresceram as artes, com o barroco napolitano e com a presença de artistas como Cosimo Fanzago e Michelangelo Merisi da Caravaggio em Nápoles, mas a plebe viveu uma situação de prolongada miséria, agravada também pelas numerosas epidemias de peste. GuzmánGuzmánEm 1643, por obra do vice-rei Ramiro de Guzmán, que se casou com a nobre Anna Carafa, foram tornadas transitáveis as rampas de Sant'Antonio a Posillipo, ligação entre a colina e a cidade baixa, justamente onde ficava o palácio Donn'Anna, construído por Cosimo Fanzago para Anna Carafa. Poucos anos depois, em 1647, o povo napolitano, incitado pelo jovem Masaniello, se unirá em uma revolta popular, devido a um imposto sobre frutas, e portanto sobre um bem primário. À revolta de Masaniello seguiu-se a terrível peste de 1656, que, além de dizimar a população, fez nascer, em Nápoles, o "culto das capuzzelle". O século XVIII trouxe o fim do período do vice-reinado e introduziu a dinastia bourbon, que governou até a unificação da Itália. Antes da chegada dos Bourbons a Nápoles haverá um parêntese (de 1707 a 1734) de domínio austríaco, pouco significativo para a cidade. O restante descobriremos no próximo episódio... (Fonte: "A história de Nápoles" de Antonio Ghirelli)





Hoje começa uma nova coluna: os reis de Nápoles! As estátuas dos reis de Nápoles estão localizadas na fachada do Palácio Real, na Piazza del Plebiscito, e foram colocadas lá por vontade do rei Umberto I, em 1888. O primeiro rei de Nápoles é Rogério II, o Normando, e a ele, de fato, é dedicada a primeira estátua, obra de Emilio Franceschi. Os normandos foram inicialmente recrutados pelo duque Sérgio IV, em 1027, para se livrar da pressão crescente dos lombardos. Como recompensa, ele lhes doou uma terra, que os normandos chamaram de "Aversa", porque era hostil tanto a Nápoles quanto a Cápua. De Aversa, eles se expandiram rapidamente, até sitiar, em 1130, a cidade de Nápoles. Trata-se de Rogério da Sicília, que derrotou os últimos fiéis do duque Sérgio VIII e, nove anos depois, recebeu as chaves da cidade. O ano Rogério, o Normando, foi um rei sábio, mas impôs uma organização unitária ao reino. Isso não permitiu à classe burguesa napolitana tornar-se autônoma, nem à cidade de Nápoles evoluir como um município livre. Durante o reinado dos normandos, foram construídos o Castel dell'Ovo (residência na época de Rogério, o Normando) e o Castel Capuano (residência posterior, desejada por Guilherme I, o Normando, também para conciliar a necessidade de uma residência com a de um posto militar). No próximo episódio sobre os reis de Nápoles, falaremos sobre como o poder passou para os suábios. *************************************************************************************Segundo episódio da coluna dos #ReDiNapoli Hoje falamos dos Suábios e, em particular, de . Sua estátua na fachada do palácio real de Nápoles é uma obra de Emanuele Caggiano. Frederico Rogério de Hohenstaufen entra em Nápoles por ser descendente, por parte de mãe, dos normandos de Altavilla. Seu reinado é caracterizado por um governo moralizador, os privilégios e liberdades medievais são suprimidos. Frederico foi várias vezes obstaculizado pela igreja, e chegou a receber duas excomunhões do papa Gregório IX, que o chamava de anticristo. Frederico conseguiu, de qualquer forma, realizar várias obras no reino: em Nápoles reconstruiu as muralhas e incrementou os comércios, limitando o poder de seu representante local, o "compalazzo", ao qual associou uma cúria composta por cinco juízes e oito notários. Mas sua maior obra é certamente a instituição do Studium Generale, em 1224. Trata-se da universidade de Nápoles, a primeira universidade laica da Itália, que leva o nome de Federico II. O reino dos Suábios terminará em 1266, com a chegada dos angevinos. A passagem de poder será marcada por um evento trágico, que ficará para sempre na memória dos napolitanos: a decapitação, em 1268, na Piazza Mercato, de Corradino de Suábia, um garoto de apenas 14 anos. Mas dos angevinos falaremos no próximo episódio da coluna! Até breve! ***************************************************************************************Terceiro episódio da coluna dedicada aos #ReDiNapoli! A terceira estátua na fachada do palácio real de Nápoles é dedicada a , e é uma obra de Tommaso Solari. O soberano é representado com uma expressão feroz, e de fato seu caráter não era nada dócil. Os napolitanos, após a morte de Frederico II de Suábia, começaram a mostrar sinais de impaciência em relação ao império, rebelaram-se contra os governadores e Nápoles tornou-se um município livre sob a proteção do Papa Inocêncio IV. A igreja, aproveitando o descontentamento popular, introduziu conventos de franciscanos e dominicanos na cidade, e serviu-se justamente do francês Carlos de Anjou, em 1266, para eliminar também os últimos vestígios do poder dos gibelinos. Isso aconteceu em 1268, com a decapitação de Corradino de Suábia na Piazza Mercato. A capital foi transferida de Palermo para Nápoles, no período angevino foram construídas muitas igrejas em Nápoles, como o duomo, San Lorenzo, Sant'Eligio, Santa Chiara, San Domenico, e a relação dos napolitanos com a religião foi consolidada, difundindo, porém, também o fanatismo e a superstição entre a população. Escultores como Tino da Camaino e pintores como Giotto e Simone Martini vieram a Nápoles trabalhar nos locais de culto. Floresceu também a construção civil, com a construção do Castel Nuovo, que se tornou a nova residência real dos angevinos, e do Castel Sant'Elmo. As classes médias da cidade demoraram a emergir. Carlos acentuou a componente feudal, as necessidades das camadas mais baixas da população não encontravam nenhum representante nos altos escalões. O descontentamento levará, em 1282, à revolta dos Vésperas na Sicília, que antecipará o surgimento de uma nova dominação, a aragonesa, da qual falaremos no próximo episódio. Carlos de Anjou foi sucedido por Carlos II, o Coxo, e depois por Roberto de Anjou. Este trouxe à corte personalidades como Francesco Petrarca, mas ao florescimento das artes não correspondeu uma grande capacidade governativa. Os impostos eram demasiado altos, assim como os custos da política externa. O banditismo, a Inquisição, a peste de 1348 e a confusão dos anos seguintes à morte do rei Roberto e ligados às duas Joanas aceleraram a entrada dos aragoneses na cidade, que ocorreu em 1442.***************************************************************************************Quarto episódio da coluna sobre os #redinapoli! A quarta estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada ao rei aragonês, chamado "O Magnânimo". Trata-se de uma obra de Achille D'Orsi. Como chegou Afonso de Aragão a Nápoles? No portal do Castel Nuovo, esplêndida obra de Pietro De Martino a partir dos desenhos de Francesco Laurana, está representada a entrada triunfal na cidade de Afonso, transportado no carro da vitória. Também na sala dos fastos aragoneses, a segunda antecâmara do Palácio Real, encontramos, nos afrescos do teto, a mesma cena. A realidade, porém, é um pouco diferente. Afonso de Aragão, após um longo cerco à cidade de Nápoles, dirigiu-se a uma senhora que morava na zona "extra moenia", tal "donna Ceccarella", e prometeu-lhe uma pensão vitalícia em troca de um pequeno favor: permitir-lhe acessar os subterrâneos napolitanos, entrando pelo poço do jardim. Assim fez, e surgiu, através dos túneis do aqueduto, dentro das muralhas. Sua entrada em Nápoles, portanto, foi tudo menos triunfal, e mais parecida com a de um rato de esgoto. Durante o reinado de Afonso floresceu a política externa, Nápoles era o centro do vasto domínio mediterrâneo. Desenvolveu-se a produção de lã e seda. Ao mesmo tempo, arte e literatura viveram um momento particularmente florescente. Basta pensar em personagens como Panormita e Giovanni Pontano, ou como Pinturicchio e Perugino, que trabalharam em Nápoles nessa época. A política de Afonso, porém, foi orientada a favorecer os barões e eliminou o assento do povo; além disso, o soberano era muito religioso - pensem que se gabava de ter lido a Bíblia inteira quarenta vezes - e buscou uma devota aliança com o pontífice romano, também para derrotar os angevinos e turcos. O luxo e o esplendor das festas comprometiam a situação econômica do reino, e o favor de Afonso continuava a pender para barões e feudatários, aos quais concedeu vários favores, sentindo-se chantageado pela ameaça de rebeliões. Os feudatários mandavam nas campanhas, agiam com prepotência, e isso provocava a indignação dos mercadores vindos de outras zonas da Itália que visitavam o reino. O desenvolvimento da marinha permaneceu praticamente parado, na época aragonesa. A Afonso, o Magnânimo, seguiu-se Ferrante, que procurou conquistar a confiança dos napolitanos com uma política voltada à promoção cultural e urbanística da cidade, apesar de ser um homem indiferente à cultura. Ferrante dedicou-se ao desenvolvimento do artesanato, chamando à corte de toda a Itália os maiores fabricantes de seda, ourives e curtidores, e cercou Nápoles com vinte e duas torres cilíndricas, saneou-a e melhorou a administração da justiça. Contra ele, porém, conspiraram os barões, que, motivados pelo aumento dos impostos, reuniram-se na famosa conspiração, em 1485. Ferrante os descobriu e mandou executá-los ou exilá-los na França no ano seguinte. O domínio aragonês estava, naqueles anos, minado pelas grandes potências europeias, que disputavam o território italiano. Após a morte de Ferrante, a coroa passou em poucos anos para Afonso II e depois para Ferrantino, sendo então ameaçada por Carlos VIII, Rei da França, pertencente à casa dos angevinos, chamado à Itália por Ludovico, o Mouro. Afastada a ameaça francesa, Ferrantino foi chamado de volta, e depois dele a coroa foi novamente para Frederico III, o último dos aragoneses, que tentou governar com inteligência e cautela. O domínio aragonês em Nápoles terminará, porém, em 1503, quando Fernando, o Católico, conquistará o reino graças a Dom Gonçalo de Córdoba, e Nápoles será reduzida a uma província periférica no imenso império espanhol. Mas disso falaremos no próximo episódio...************************************************************************************Quinto episódio da coluna sobre os #redinapoli! A quinta estátua na fachada do palácio real de Nápoles é dedicada a e é obra de Vincenzo Gemito. Carlos herdou em 1506 o reino de Castela e as terras do Novo Mundo do pai Filipe de Habsburgo, o Belo, arquiduque da Áustria e senhor dos Países Baixos. Carlos tinha apenas seis anos, na época, e por isso o reino foi administrado pelo avô materno, Fernando, o Católico, até atingir a maioridade. Em 28 de junho de 1519 foi eleito Sacro Imperador Romano com o nome de Carlos V e em 1529, após a batalha de Pavia e o saque de Roma, impôs a paz de Cambrai à França e a de Barcelona ao pontífice, afirmando seu domínio também na Itália, e recebendo, no ano seguinte, a coroa de ferro de rei da Itália e a coroa imperial do Papa Clemente VII. O império de Carlos V compreendia grande parte da península italiana: Nápoles, Palermo, Cagliari, Milão, Gênova, Florença e as capitais dos ducados do Pó e era baseado numa ideia de paz universal, garantida pelo cristianismo. Nápoles perde o papel de capital e decai para o de província, o governo é confiado aos vice-reis espanhóis. O primeiro, e o mais importante, é certamente Dom Pedro de Toledo, que governou Nápoles por vinte anos, de 1532 a 1553. Dom Pedro implementou um verdadeiro plano urbanístico em Nápoles: construiu a rua que leva seu nome, alocando as tropas espanholas no bairro de Montecalvario, naqueles que depois foram chamados de "bairros espanhóis". Estendeu a muralha até Vomero e Chiaia, e restaurou algumas das fortalezas napolitanas, como o Castel Sant'Elmo, que assumiu a forma de estrela de seis pontas, a mesma que vemos hoje. A Pedro de Toledo também se devem a instituição do tribunal da Vicaria, que em dezoito anos enforcou cerca de dezoito mil bandidos locais, e a dos Montes de Piedade (organismos formados por , que o vice-rei institui para resolver o problema da multidão de agiotas judeus na cidade. A política em relação aos barões foi tendencialmente severa: estes haviam sido reduzidos a simples proprietários de terras, e viviam muitas vezes de renda, longe dos feudos, dissipando seu patrimônio entre luxo e ostentação, mas Pedro de Toledo implementou uma série de pragmáticas contra eles, para combater abusos no âmbito comercial e jurídico. Infelizmente, porém, a corrupção também se espalhava entre os magistrados, e por isso as ações punitivas dos vice-reis muitas vezes não tinham efeito. Criminalidade e usura se difundiram facilmente na cidade. A política conduzida pelos vice-reis era muito menos severa, além disso, em relação aos próprios soldados espanhóis, que estabeleceram com a plebe napolitana relações de promiscuidade, contagiando-os tanto com defeitos espanhóis - como palavrões e superstição - quanto com doenças. Muitos termos de origem espanhola no dialeto napolitano datam justamente desse período. Proliferaram conventos e igrejas, e apesar da proibição - desde 1566 - de construir fora das muralhas, devido ao crescimento demográfico desmedido, formaram-se núcleos habitados em Mergellina, nos Vergini, em Sant'Antonio Abate, na Avvocata e em outros bairros napolitanos. Mesmo após a morte de Pedro de Toledo, na verdade, para Nápoles veio um período nada próspero. No decorrer do século XVII floresceram as artes, com o barroco napolitano e com a presença de artistas como Cosimo Fanzago e Michelangelo Merisi da Caravaggio em Nápoles, mas a plebe viveu uma situação de prolongada miséria, agravada também pelas numerosas epidemias de peste. GuzmánGuzmánEm 1643, por obra do vice-rei Ramiro de Guzmán, que se casou com a nobre Anna Carafa, foram tornadas transitáveis as rampas de Sant'Antonio a Posillipo, ligação entre a colina e a cidade baixa, justamente onde ficava o palácio Donn'Anna, construído por Cosimo Fanzago para Anna Carafa. Poucos anos depois, em 1647, o povo napolitano, incitado pelo jovem Masaniello, uniu-se numa revolta popular, devido a um imposto sobre a fruta, e portanto sobre um bem primário. À revolta de Masaniello seguiu-se a terrível peste de 1656, que, além de dizimar a população, fez nascer, em Nápoles, o "culto das capuzzelle". O século XVIII trouxe o fim do período vice-reinal e introduziu a dinastia borbônica, que governou até a unificação da Itália. Antes da chegada dos Bourbons a Nápoles haverá um parêntese (de 1707 a 1734) de domínio austríaco, pouco significativo para a cidade. O resto descobriremos no próximo episódio... (Fonte: "A história de Nápoles" de Antonio Ghirelli)





Hoje começa uma nova coluna: os reis de Nápoles! As estátuas dos reis de Nápoles estão localizadas na fachada do Palácio Real, na Piazza del Plebiscito, e foram colocadas lá por vontade do rei Umberto I, em 1888. O primeiro rei de Nápoles é Rogério II, o Normando, e a ele, de fato, é dedicada a primeira estátua, obra de Emilio Franceschi. Os normandos foram inicialmente recrutados pelo duque Sérgio IV, em 1027, para se livrar da pressão crescente dos lombardos. Como recompensa, ele lhes dará uma terra, que os normandos chamarão de "Aversa", porque era hostil tanto a Nápoles quanto a Cápua. De Aversa eles se expandirão rapidamente, até sitiar, em 1130, a cidade de Nápoles. Trata-se de Rogério da Sicília, que derrota os últimos fiéis do duque Sérgio VIII e nove anos depois recebe as chaves da cidade. O ano Rogério, o Normando, foi um rei sábio, mas impôs uma organização unitária ao reino. Isso não permitiu que a classe burguesa napolitana se tornasse autônoma, nem que a cidade de Nápoles evoluísse como um município livre. Durante o reinado dos normandos foram construídos o Castel dell'Ovo (residência na época de Rogério, o Normando) e o Castel Capuano (residência posterior, desejada por Guilherme I, o Normando, também para conciliar a necessidade de uma residência com a de um posto militar). No próximo episódio sobre os reis de Nápoles falaremos sobre como o poder passou para os suábios. *************************************************************************************Segundo episódio da coluna dos #ReDiNapoli Hoje falamos dos Suábios e em particular de . Sua estátua na fachada do palácio real de Nápoles é uma obra de Emanuele Caggiano. Frederico Rogério de Hohenstaufen entra em Nápoles por ser descendente, por parte de mãe, dos normandos de Altavila. Seu reinado é caracterizado por um governo moralizador, os privilégios e as liberdades medievais são suprimidos. Frederico será várias vezes impedido pela igreja, e chegou a receber duas excomunhões do papa Gregório IX, que o chamava de anticristo. Frederico conseguiu, de qualquer forma, realizar várias obras no reino: em Nápoles reconstruiu as muralhas e aumentou o comércio, limitando o poder de seu representante local, o "compalazzo", ao qual associou uma cúria composta por cinco juízes e oito notários. Mas sua maior obra é certamente a instituição do Studium Generale, em 1224. Trata-se da universidade de Nápoles, a primeira universidade laica da Itália, que leva o nome de Frederico II. O reino dos Suábios terminará em 1266, com a chegada dos angevinos. A transferência de poder será marcada por um evento trágico, que ficará para sempre na memória dos napolitanos: a decapitação, em 1268, na Piazza Mercato, de Corradino de Suábia, um menino de apenas 14 anos. Mas dos angevinos falaremos no próximo episódio da coluna! Até breve! ***************************************************************************************Terceiro episódio da coluna dedicada aos #ReDiNapoli! A terceira estátua na fachada do palácio real de Nápoles é dedicada a , e é uma obra de Tommaso Solari. O soberano é representado com uma expressão feroz, e de fato seu caráter não era nada dócil. Os napolitanos, após a morte de Frederico II de Suábia, começaram a mostrar sinais de impaciência em relação ao império, rebelaram-se contra os governadores e Nápoles tornou-se um município livre sob a proteção do Papa Inocêncio IV. A igreja, aproveitando o descontentamento popular, introduziu conventos de franciscanos e dominicanos na cidade, e serviu-se justamente do francês Carlos de Anjou, em 1266, para eliminar até as últimas traças do poder dos gibelinos. Isso aconteceu em 1268, com a decapitação de Corradino de Suábia na Piazza Mercato. A capital é transferida de Palermo para Nápoles, no período angevino serão construídas muitas igrejas em Nápoles, como o duomo, San Lorenzo, Sant'Eligio, Santa Chiara, San Domenico, e a relação dos napolitanos com a religião será consolidada, mas também difundindo entre a população o fanatismo e a superstição. Escultores como Tino da Camaino e pintores como Giotto e Simone Martini virão a Nápoles para trabalhar nos locais de culto. Floresceu também a construção civil, com a construção do Castel Nuovo, que se tornou a nova residência real dos angevinos, e do Castel Sant'Elmo. As classes médias da cidade demoram a emergir. Carlos acentua a componente feudal, as necessidades das classes mais baixas da população não encontram nenhum representante nos altos escalões. O descontentamento levará, em 1282, à revolta dos Vésperas na Sicília, que antecipará o surgimento de uma nova dominação, a aragonesa, da qual falaremos no próximo episódio. Carlos de Anjou foi sucedido por Carlos II, o Coxo, e depois por Roberto de Anjou. Este trouxe à corte personalidades como Francesco Petrarca, mas ao florescimento das artes não correspondeu uma grande capacidade governativa. Os impostos eram demasiado altos, assim como os custos da política externa. O banditismo, a Inquisição, a peste de 1348 e a confusão dos anos seguintes à morte do rei Roberto e ligados às duas Joanas aceleraram a entrada dos aragoneses na cidade, que aconteceu em 1442.***************************************************************************************Quarto episódio da coluna sobre os #redinapoli! A quarta estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada ao rei aragonês, chamado "O Magnânimo". Trata-se de uma obra de Achille D'Orsi. Como chegou Afonso de Aragão a Nápoles? No portal do Castel Nuovo, esplêndida obra de Pietro De Martino a partir dos desenhos de Francesco Laurana, está representada a entrada triunfal na cidade de Afonso, transportado no carro da vitória. Também na sala dos fastos aragoneses, a segunda antecâmara do Palácio Real, encontramos, nos afrescos do teto, a mesma cena. A realidade, porém, é um pouco diferente. Afonso de Aragão, após um longo cerco à cidade de Nápoles, foi até uma senhora que morava na zona "extra moenia", tal "donna Ceccarella", e lhe prometeu uma pensão vitalícia em troca de um pequeno favor: permitir-lhe acessar os subterrâneos napolitanos, entrando pelo poço do jardim. Assim fez, e surgiu, através dos túneis do aqueduto, dentro das muralhas. Sua entrada em Nápoles, portanto, foi tudo menos triunfal, e mais parecida com a de um rato de esgoto. Durante o reinado de Afonso floresceu a política externa, Nápoles era o centro do vasto domínio mediterrâneo. Desenvolveu-se a produção de lã e seda. Ao mesmo tempo, arte e literatura viveram um momento particularmente florescente. Basta pensar em personagens como Panormita e Giovanni Pontano, ou como Pinturicchio e Perugino, que trabalharam em Nápoles nesta época. A política de Afonso, porém, foi orientada a favorecer os barões e eliminou o assento do povo; além disso, o soberano era muito religioso - pensem que se gabava de ter lido a Bíblia inteira nada menos que quarenta vezes - e buscou uma aliança devota com o papa romano, também para derrotar angevinos e turcos. O luxo e o esplendor das festas comprometiam a situação econômica do reino, e o favor de Afonso continuava a pender para barões e feudatários, aos quais concedeu vários favores, sentindo-se chantageado pela ameaça de rebeliões. Os feudatários dominavam o campo, agiam com prepotência, e isso provocava a indignação dos mercadores vindos de outras zonas da Itália que visitavam o reino. O desenvolvimento da marinha permaneceu praticamente parado, na época aragonesa. A Afonso, o Magnânimo, seguiu-se Ferrante, que procurou conquistar a confiança dos napolitanos com uma política voltada para a promoção cultural e urbanística da cidade, embora fosse um homem indiferente à cultura. Ferrante dedicou-se ao desenvolvimento do artesanato, chamando à corte de toda a Itália os maiores fabricantes de seda, ourives e curtidores, e cercou Nápoles com vinte e duas torres cilíndricas, saneou-a e melhorou a administração da justiça. Contra ele, porém, conspiraram os barões, que, motivados pelo aumento dos impostos, se reuniram na famosa conspiração, em 1485. Ferrante os descobriu e os mandou executar ou os exilou na França no ano seguinte. O domínio aragonês estava, naqueles anos, minado pelas grandes potências europeias, que disputavam o território italiano. Após a morte de Ferrante, a coroa passou em poucos anos para Afonso II e depois para Ferrantino, foi então ameaçada por Carlos VIII, Rei da França, pertencente à casa dos angevinos, chamado à Itália por Ludovico, o Mouro. Afastada a ameaça francesa, Ferrantino foi chamado de volta, e depois dele a coroa foi novamente para Frederico III, o último dos aragoneses, que tentou governar com inteligência e cautela. O domínio aragonês em Nápoles terminará, porém, em 1503, quando Fernando, o Católico, conquistará o reino graças a Dom Consalvo de Córdoba, e Nápoles será reduzida a uma província periférica no imenso império espanhol. Mas disso falaremos no próximo episódio...************************************************************************************Quinto episódio da coluna sobre os #redinapoli! A quinta estátua na fachada do palácio real de Nápoles é dedicada a e é obra de Vincenzo Gemito. Carlos herdou em 1506 o reino de Castela e as terras do Novo Mundo do pai Filipe de Habsburgo, o Belo, arquiduque da Áustria e senhor dos Países Baixos. Carlos tinha apenas seis anos, na época, e portanto o reino será administrado pelo avô materno, Fernando, o Católico, até atingir a maioridade. Em 28 de junho de 1519 foi eleito Sacro Imperador Romano com o nome de Carlos V e em 1529, após a batalha de Pavia e o saque de Roma, impôs a paz de Cambrai à França e a de Barcelona ao papa, afirmando seu domínio também na Itália, e recebendo, no ano seguinte, a coroa de ferro de rei da Itália e a coroa imperial do Papa Clemente VII. O império de Carlos V compreendia grande parte da península italiana: Nápoles, Palermo, Cagliari, Milão, Gênova, Florença e as capitais dos ducados do Pó e era baseado numa ideia de paz universal, garantida pelo cristianismo. Nápoles perde o papel de capital e decai para o de província, o governo é confiado aos vice-reis espanhóis. O primeiro, e o mais importante, é certamente Dom Pedro de Toledo, que governou Nápoles por vinte anos, de 1532 a 1553. Dom Pedro implementou um verdadeiro plano urbanístico em Nápoles: construiu a rua que leva seu nome, instalando as tropas espanholas no bairro de Montecalvario, naqueles que depois foram chamados de "bairros espanhóis". Estendeu a muralha até Vomero e Chiaia, e restaurou algumas das fortalezas napolitanas, como o Castel Sant'Elmo, que assumiu a forma de estrela de seis pontas, a mesma que vemos hoje. A Pedro de Toledo também se devem a instituição do tribunal da Vicaria, que em dezoito anos enforcou cerca de dezoito mil bandidos locais, e a dos Montes de Piedade (organismos formados por , que o vice-rei institui para resolver o problema da multidão de agiotas judeus na cidade. A política em relação aos barões foi tendencialmente severa: estes haviam sido reduzidos a simples proprietários de terras, e viviam muitas vezes de renda, longe dos feudos, dissipando seu patrimônio entre luxo e ostentação, mas Pedro de Toledo implementou uma série de pragmáticas contra eles, para combater abusos no âmbito comercial e jurídico. Infelizmente, porém, a corrupção também se espalhava entre os magistrados, e assim as ações punitivas dos vice-reis muitas vezes não tinham efeito. Criminalidade e usura se difundiram facilmente na cidade. A política conduzida pelos vice-reis era muito menos severa, além disso, em relação aos próprios soldados espanhóis, que estabeleceram com a plebe napolitana relações de promiscuidade, contagiando-os tanto com os defeitos espanhóis - como palavrões e superstição - quanto com doenças. Muitos termos de origem espanhola no dialeto napolitano datam justamente deste período. Proliferaram conventos e igrejas, e apesar da proibição - desde 1566 - de construir fora das muralhas, devido ao crescimento demográfico desmedido, formaram-se núcleos habitados em Mergellina, nos Vergini, em Sant'Antonio Abate, na Avvocata e em outros bairros napolitanos. Mesmo após a morte de Pedro de Toledo, na verdade, para Nápoles veio um período nada florescente. No decorrer do século XVII floresceram as artes, com o barroco napolitano e com a presença de artistas como Cosimo Fanzago e Michelangelo Merisi da Caravaggio em Nápoles, mas a plebe viveu uma situação de prolongada miséria, agravada também pelas numerosas epidemias de peste. GuzmánGuzmánEm 1643, por obra do vice-rei Ramiro de Guzmán, que se casa com a nobre Anna Carafa, serão tornadas transitáveis as rampas de Sant'Antonio a Posillipo, ligação entre a colina e a cidade baixa, justamente onde ficava o palácio Donn'Anna, construído por Cosimo Fanzago para Anna Carafa. Poucos anos depois, em 1647, o povo napolitano, incitado pelo jovem Masaniello, se unirá em uma revolta popular, por causa de um imposto sobre a fruta, e portanto sobre um bem primário. À revolta de Masaniello seguiu-se a terrível peste de 1656, que, além de dizimar a população, fez nascer, em Nápoles, o "culto das capuzzelle". O século XVIII trouxe o fim do período vice-reinal e introduziu a dinastia borbônica, que governou até a unificação da Itália. Antes da chegada dos Bourbons a Nápoles haverá um parêntese (de 1707 a 1734) de domínio austríaco, pouco significativo para a cidade. O restante descobriremos no próximo episódio... (Fonte: "A história de Nápoles" de Antonio Ghirelli)





Hoje começa uma nova coluna: os reis de Nápoles! As estátuas dos reis de Nápoles estão localizadas na fachada do Palácio Real, na Piazza del Plebiscito, e foram colocadas lá por vontade do rei Umberto I, em 1888. O primeiro rei de Nápoles é Rogério II, o Normando, e a ele, de fato, é dedicada a primeira estátua, obra de Emilio Franceschi. Os normandos foram inicialmente recrutados pelo duque Sérgio IV, em 1027, para se livrar da pressão crescente dos lombardos. Para recompensá-los, ele lhes doou uma terra, que os normandos chamaram de "Aversa", porque era hostil tanto a Nápoles quanto a Cápua. De Aversa, eles se expandiram rapidamente, até sitiar, em 1130, a cidade de Nápoles. Trata-se de Rogério da Sicília, que derrotou os últimos fiéis do duque Sérgio VIII e, nove anos depois, recebeu as chaves da cidade. O ano Rogério, o Normando, foi um rei sábio, mas impôs uma organização unitária ao reino. Isso não permitiu que a classe burguesa napolitana se tornasse autônoma, nem que a cidade de Nápoles evoluísse como um município livre. Durante o reinado dos normandos foram construídos o Castel dell'Ovo (residência na época de Rogério, o Normando) e o Castel Capuano (residência posterior, desejada por Guilherme I, o Normando, também para conciliar a necessidade de uma residência com a de uma guarnição militar). No próximo episódio sobre os reis de Nápoles, falaremos sobre como o poder passou para os suábios. *************************************************************************************Segundo episódio da coluna dos #ReDiNapoli Hoje falamos dos Suábios e, em particular, de . Sua estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é uma obra de Emanuele Caggiano. Frederico Rogério de Hohenstaufen entra em Nápoles por ser descendente, por parte de mãe, dos normandos de Altavilla. Seu reinado é caracterizado por um governo moralizador, os privilégios e liberdades medievais são suprimidos. Frederico foi várias vezes obstaculizado pela igreja, e chegou a receber duas excomunhões do papa Gregório IX, que o chamava de anticristo. Frederico conseguiu, de qualquer forma, realizar várias obras no reino: em Nápoles reconstruiu as muralhas e aumentou o comércio, limitando o poder de seu representante local, o "compalazzo", ao qual associou uma cúria composta por cinco juízes e oito notários. Mas sua maior obra é certamente a instituição do Studium Generale, em 1224. Trata-se da universidade de Nápoles, a primeira universidade laica da Itália, que leva o nome de Federico II. O reino dos Suábios terminará em 1266, com a chegada dos angevinos. A transferência de poder será marcada por um evento trágico, que ficará para sempre na memória dos napolitanos: a decapitação, em 1268, na Piazza Mercato, de Corradino de Suábia, um garoto de apenas 14 anos. Mas dos angevinos falaremos no próximo episódio da coluna! Até breve! ***************************************************************************************Terceiro episódio da coluna dedicada aos #ReDiNapoli! A terceira estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada a , e é uma obra de Tommaso Solari. O soberano é representado com uma expressão feroz, e de fato seu caráter não era nada dócil. Os napolitanos, após a morte de Frederico II de Suábia, começaram a mostrar sinais de impaciência em relação ao império, rebelaram-se contra os governadores e Nápoles tornou-se um município livre sob a proteção do Papa Inocêncio IV. A igreja, aproveitando o descontentamento popular, introduziu conventos de franciscanos e dominicanos na cidade, e serviu-se justamente do francês Carlos de Anjou, em 1266, para eliminar até as últimas traças do poder dos gibelinos. Isso aconteceu em 1268, com a decapitação de Corradino de Suábia na Piazza Mercato. A capital foi transferida de Palermo para Nápoles, no período angevino foram construídas muitas igrejas em Nápoles, como a catedral, San Lorenzo, Sant'Eligio, Santa Chiara, San Domenico, e a relação dos napolitanos com a religião foi consolidada, difundindo, porém, também o fanatismo e a superstição entre a população. Escultores como Tino da Camaino e pintores como Giotto e Simone Martini vieram a Nápoles trabalhar nos locais de culto. Floresceu também a construção civil, com a construção do Castel Nuovo, que se tornou a nova residência real dos angevinos, e do Castel Sant'Elmo. As classes médias da cidade demoraram a emergir. Carlos acentuou a componente feudal, as necessidades das classes mais baixas da população não encontravam nenhum representante nos altos escalões. O descontentamento levará, em 1282, à revolta dos Vésperas na Sicília, que antecipará o surgimento de uma nova dominação, a aragonesa, da qual falaremos no próximo episódio. A Carlos de Anjou sucedeu Carlos II, o Coxo, e depois Roberto de Anjou. Este trouxe à corte personalidades como Francesco Petrarca, mas ao florescimento das artes não correspondeu uma grande capacidade governativa. Os impostos eram muito altos, assim como os custos da política externa. O banditismo, a Inquisição, a peste de 1348 e a confusão dos anos seguintes à morte do rei Roberto e ligados às duas Joanas aceleraram a entrada dos aragoneses na cidade, que ocorreu em 1442.***************************************************************************************Quarto episódio da coluna sobre os #redinapoli! A quarta estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada ao rei aragonês, chamado "O Magnânimo". Trata-se de uma obra de Achille D'Orsi. Como chegou Afonso de Aragão a Nápoles? No portal do Castel Nuovo, esplêndida obra de Pietro De Martino a partir dos desenhos de Francesco Laurana, está representada a entrada triunfal na cidade de Afonso, transportado no carro da vitória. Também na sala dos fastos aragoneses, a segunda antecâmara do Palácio Real, encontramos, nos afrescos do teto, a mesma cena. A realidade, porém, é um pouco diferente. Afonso de Aragão, após um longo cerco à cidade de Nápoles, foi até uma senhora que morava na zona "extra moenia", tal "donna Ceccarella", e lhe prometeu uma pensão vitalícia em troca de um pequeno favor: permitir-lhe acessar os subterrâneos napolitanos, entrando pelo poço do jardim. Assim fez, e apareceu, através dos túneis do aqueduto, dentro das muralhas. Sua entrada em Nápoles, portanto, foi tudo menos triunfal, e mais parecida com a de um rato de esgoto. Durante o reinado de Afonso floresceu a política externa, Nápoles era o centro do vasto domínio mediterrâneo. Desenvolveu-se a produção de lã e seda. Ao mesmo tempo, arte e literatura viveram um momento particularmente florescente. Basta pensar em personagens como o Panormita e Giovanni Pontano, ou como Pinturicchio e Perugino, que trabalharam em Nápoles nesta época. A política de Afonso, porém, foi orientada a favorecer os barões e eliminou o assento do povo; além disso, o soberano era muito religioso - pense que se gabava de ter lido a Bíblia inteira quarenta vezes - e buscou uma devota aliança com o pontífice romano, também para derrotar angevinos e turcos. O luxo e o esplendor das festas comprometiam a situação econômica do reino, e o favor de Afonso continuava a pender para barões e feudatários, aos quais concedeu vários favores, sentindo-se chantageado pela ameaça de rebeliões. Os feudatários mandavam nas campanhas, agiam com prepotência, e isso provocava a indignação dos mercadores vindos de outras zonas da Itália que visitavam o reino. O desenvolvimento da marinha permaneceu praticamente parado, na época aragonesa. A Afonso, o Magnânimo, seguiu-se Ferrante, que tentou conquistar a confiança dos napolitanos com uma política voltada à promoção cultural e urbanística da cidade, apesar de ser um homem indiferente à cultura. Ferrante dedicou-se ao desenvolvimento do artesanato, chamando à corte de toda a Itália os maiores fabricantes de seda, ourives e curtidores, e cercou Nápoles com vinte e duas torres cilíndricas, saneou-a e melhorou a administração da justiça. Contra ele, porém, conspiraram os barões, que, motivados pelo aumento dos impostos, se reuniram na famosa conspiração, em 1485. Ferrante os descobriu e os mandou executar ou exilar na França no ano seguinte. O domínio aragonês estava, naqueles anos, minado pelas grandes potências europeias, que disputavam o território italiano. Após a morte de Ferrante, a coroa passou em poucos anos para Afonso II e depois para Ferrantino, foi então ameaçada por Carlos VIII, Rei da França, pertencente à casa dos angevinos, chamado à Itália por Ludovico, o Mouro. Afastada a ameaça francesa, Ferrantino foi chamado de volta, e depois dele a coroa foi novamente para Frederico III, o último dos aragoneses, que tentou governar com inteligência e cautela. O domínio aragonês em Nápoles terminará, porém, em 1503, quando Fernando, o Católico, conquistará o reino graças a Don Consalvo de Córdoba, e Nápoles será reduzida a uma província periférica no imenso império espanhol. Mas disso falaremos no próximo episódio...************************************************************************************Quinto episódio da coluna sobre os #redinapoli! A quinta estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada a e é obra de Vincenzo Gemito. Carlos herdou em 1506 o reino de Castela e as terras do Novo Mundo do pai Filipe de Habsburgo, o Belo, arquiduque da Áustria e senhor dos Países Baixos. Carlos tinha apenas seis anos, na época, e portanto o reino foi administrado pelo avô materno, Fernando, o Católico, até atingir a maioridade. Em 28 de junho de 1519 foi eleito Sacro Imperador Romano com o nome de Carlos V e em 1529, após a batalha de Pavia e o saque de Roma, impôs a paz de Cambrai à França e a de Barcelona ao pontífice, afirmando seu domínio também na Itália, e recebendo, no ano seguinte, a coroa de ferro de rei da Itália e a coroa imperial do Papa Clemente VII. O império de Carlos V compreendia grande parte da península italiana: Nápoles, Palermo, Cagliari, Milão, Gênova, Florença e as capitais dos ducados do Pó e era baseado numa ideia de paz universal, garantida pelo cristianismo. Nápoles perde o papel de capital e decai para o de província, o governo é confiado aos vice-reis espanhóis. O primeiro, e o mais importante, é certamente Don Pedro de Toledo, que governou Nápoles por vinte anos, de 1532 a 1553. Don Pedro implementou um verdadeiro plano urbanístico em Nápoles: construiu a rua que leva seu nome, instalando as tropas espanholas no bairro de Montecalvario, naqueles que depois foram chamados de "bairros espanhóis". Estendeu a muralha até Vomero e Chiaia, e restaurou algumas das fortalezas napolitanas, como o Castel Sant'Elmo, que assumiu a forma de estrela de seis pontas, a mesma que vemos hoje. A Pedro de Toledo também se devem a instituição do tribunal da Vicaria, que em dezoito anos enforcou cerca de dezoito mil malfeitores locais, e a dos Montes de Piedade (organismos formados por , que o vice-rei institui para resolver o problema da multidão de agiotas judeus na cidade. A política em relação aos barões foi tendencialmente severa: estes tinham sido reduzidos a simples proprietários de terras, e viviam muitas vezes de renda, longe dos feudos, dissipando seu patrimônio entre luxo e ostentação, mas Pedro de Toledo implementou uma série de pragmáticas contra eles, para combater abusos no âmbito comercial e jurídico. Infelizmente, porém, a corrupção também se espalhava entre os magistrados, e portanto as ações punitivas dos vice-reis muitas vezes não tinham efeito. Criminalidade e usura se difundiram facilmente na cidade. A política conduzida pelos vice-reis era muito menos severa, além disso, em relação aos próprios soldados espanhóis, que estabeleceram com a plebe napolitana relações de promiscuidade, contagiando-os tanto com os defeitos espanhóis - como palavrões e superstição - quanto com doenças. Muitos termos de origem espanhola no dialeto napolitano datam justamente desse período. Pulularam conventos e igrejas, e apesar da proibição - desde 1566 - de construir fora das muralhas, devido ao crescimento demográfico desmedido, formaram-se núcleos habitados em Mergellina, nos Vergini, em Sant'Antonio Abate, na Avvocata e em outros bairros napolitanos. Mesmo após a morte de Pedro de Toledo, na verdade, para Nápoles veio um período nada florescente. No decorrer do século XVII floresceram as artes, com o barroco napolitano e com a presença de artistas como Cosimo Fanzago e Michelangelo Merisi da Caravaggio em Nápoles, mas a plebe viveu uma situação de prolongada miséria, agravada também pelas numerosas epidemias de peste. GuzmánGuzmánEm 1643, por obra do vice-rei Ramiro de Guzmán, que se casou com a nobre Anna Carafa, foram tornadas transitáveis as rampas de Sant'Antonio a Posillipo, ligação entre a colina e a cidade baixa, justamente onde ficava o palácio Donn'Anna, construído por Cosimo Fanzago para Anna Carafa. Poucos anos depois, em 1647, o povo napolitano, incitado pelo jovem Masaniello, se unirá em uma revolta popular, devido a um imposto sobre frutas, e portanto sobre um bem primário. À revolta de Masaniello seguiu-se a terrível peste de 1656, que, além de dizimar a população, fez nascer, em Nápoles, o "culto das capuzzelle". O século XVIII trouxe o fim do período vice-reinal e introduziu a dinastia bourbon, que governou até a unificação da Itália. Antes da chegada dos Bourbons a Nápoles haverá um parêntese (de 1707 a 1734) de domínio austríaco, pouco significativo para a cidade. O resto descobriremos no próximo episódio... (Fonte: "La storia di Napoli" de Antonio Ghirelli)





Hoje começa uma nova coluna: os reis de Nápoles! As estátuas dos reis de Nápoles estão localizadas na fachada do Palácio Real, na Piazza del Plebiscito, e foram colocadas lá por vontade do rei Umberto I, em 1888. O primeiro rei de Nápoles é Rogério II, o Normando, e a ele, de fato, é dedicada a primeira estátua, obra de Emilio Franceschi. Os normandos foram inicialmente recrutados pelo duque Sérgio IV, em 1027, para se livrar da pressão crescente dos lombardos. Para recompensá-los, ele lhes doou uma terra, que os normandos chamaram de "Aversa", porque era hostil tanto a Nápoles quanto a Cápua. De Aversa, eles se expandiram rapidamente, até sitiarem, em 1130, a cidade de Nápoles. Trata-se de Rogério da Sicília, que derrota os últimos fiéis do duque Sérgio VIII e, nove anos depois, recebe as chaves da cidade. O ano Rogério, o Normando, foi um rei sábio, mas impôs uma organização unitária ao reino. Isso não permitiu que a classe burguesa napolitana se tornasse autônoma, nem que a cidade de Nápoles evoluísse como um município livre. Durante o reino dos normandos, foram construídos o Castel dell'Ovo (residência na época de Rogério, o Normando) e o Castel Capuano (residência posterior, desejada por Guilherme I, o Normando, também para conciliar a necessidade de uma residência com a de um posto militar). No próximo episódio sobre os reis de Nápoles, falaremos sobre como o poder passou para os suábios. *************************************************************************************Segundo episódio da coluna dos #ReDiNapoli Hoje falamos dos Suábios e, em particular, de . Sua estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é uma obra de Emanuele Caggiano. Frederico Rogério de Hohenstaufen entra em Nápoles por ser descendente, por parte de mãe, dos normandos de Altavila. Seu reinado é caracterizado por um governo moralizador, os privilégios e liberdades medievais são suprimidos. Frederico foi várias vezes obstaculizado pela Igreja, e chegou a ser excomungado duas vezes pelo papa Gregório IX, que o chamava de anticristo. Frederico conseguiu, de qualquer forma, realizar diversas obras no reino: em Nápoles, reconstruiu as muralhas e incrementou o comércio, limitando o poder de seu representante local, o "compalazzo", ao qual associou uma cúria composta por cinco juízes e oito notários. Mas sua maior obra é certamente a instituição do Studium Generale, em 1224. Trata-se da universidade de Nápoles, a primeira universidade laica da Itália, que leva o nome de Frederico II. O reino dos Suábios terminará em 1266, com a chegada dos angevinos. A passagem de poder será marcada por um evento trágico, que ficará para sempre na memória dos napolitanos: a decapitação, em 1268, na Piazza Mercato, de Corradino de Suábia, um garoto de apenas 14 anos. Mas dos angevinos falaremos no próximo episódio da coluna! Até breve! ***************************************************************************************Terceiro episódio da coluna dedicada aos #ReDiNapoli! A terceira estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada a , e é uma obra de Tommaso Solari. O soberano é representado com uma expressão feroz, e de fato seu caráter não era nada dócil. Os napolitanos, após a morte de Frederico II de Suábia, começaram a mostrar sinais de insatisfação em relação ao império, rebelaram-se contra os governadores e Nápoles tornou-se um município livre sob a proteção do Papa Inocêncio IV. A Igreja, aproveitando o descontentamento popular, introduziu conventos de franciscanos e dominicanos na cidade, e serviu-se justamente do francês Carlos de Anjou, em 1266, para eliminar até mesmo os últimos vestígios do poder dos gibelinos. Isso aconteceu em 1268, com a decapitação de Corradino de Suábia na Piazza Mercato. A capital é transferida de Palermo para Nápoles, no período angevino serão construídas muitas igrejas em Nápoles, como o Duomo, San Lorenzo, Sant'Eligio, Santa Chiara, San Domenico, e a relação dos napolitanos com a religião será consolidada, difundindo, porém, também o fanatismo e a superstição entre a população. Escultores como Tino da Camaino e pintores como Giotto e Simone Martini vieram a Nápoles trabalhar nos locais de culto. Floresceu também a construção civil, com a construção do Castel Nuovo, que se tornou a nova residência real dos angevinos, e do Castel Sant'Elmo. As classes médias da cidade demoraram a emergir. Carlos acentuou a componente feudal, as necessidades das camadas mais baixas da população não encontravam nenhum representante nos altos escalões. O descontentamento levará, em 1282, à revolta dos Vésperas na Sicília, que antecipará o surgimento de uma nova dominação, a aragonesa, da qual falaremos no próximo episódio. A Carlos de Anjou sucedeu Carlos II, o Coxo, e depois Roberto de Anjou. Este trouxe à corte personalidades como Francesco Petrarca, mas ao florescimento das artes não correspondeu uma grande capacidade governativa. Os impostos eram muito altos, assim como os custos da política externa. O banditismo, a Inquisição, a peste de 1348 e a confusão dos anos seguintes à morte do rei Roberto e ligados às duas Joanas aceleraram a entrada dos aragoneses na cidade, que ocorreu em 1442.***************************************************************************************Quarto episódio da coluna sobre os #redinapoli! A quarta estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada ao rei aragonês, chamado "O Magnânimo". Trata-se de uma obra de Achille D'Orsi. Como Alfonso de Aragão chegou a Nápoles? No portal do Castel Nuovo, esplêndida obra de Pietro De Martino a partir dos desenhos de Francesco Laurana, está representada a entrada triunfal na cidade de Alfonso, transportado no carro da vitória. Também na sala dos fastos aragoneses, a segunda antecâmara do Palácio Real, encontramos, nos afrescos do teto, a mesma cena. A realidade, porém, é um pouco diferente. Alfonso de Aragão, após um longo cerco à cidade de Nápoles, foi até uma senhora que morava na zona "extra moenia", tal "donna Ceccarella", e lhe prometeu uma pensão vitalícia em troca de um pequeno favor: permitir-lhe acessar os subterrâneos napolitanos, entrando pelo poço do jardim. Assim fez, e surgiu, através dos túneis do aqueduto, dentro das muralhas. Sua entrada em Nápoles, portanto, foi tudo menos triunfal, e mais parecida com a de um rato de esgoto. Durante o reinado de Alfonso floresceu a política externa, Nápoles era o centro do vasto domínio mediterrâneo. Desenvolveu-se a produção de lã e seda. Ao mesmo tempo, arte e literatura viveram um momento particularmente próspero. Basta pensar em personagens como o Panormita e Giovanni Pontano, ou como o Pinturicchio e o Perugino, que trabalharam em Nápoles nessa época. A política de Alfonso, porém, foi orientada a favorecer os barões e eliminou o assento do povo; além disso, o soberano era muito religioso - pensem que se gabava de ter lido a Bíblia inteira quarenta vezes - e buscou uma devota aliança com o pontífice romano, também para derrotar os angevinos e turcos. O luxo e o esplendor das festas comprometiam a situação econômica do reino, e o favor de Alfonso continuava a pender para barões e feudatários, aos quais ele concedeu vários favores, sentindo-se chantageado pela ameaça de rebeliões. Os feudatários mandavam nas zonas rurais, agiam com prepotência, e isso provocava a indignação dos mercadores vindos de outras partes da Itália que visitavam o reino. O desenvolvimento da marinha permaneceu praticamente parado, na época aragonesa. A Alfonso, o Magnânimo, seguiu-se Ferrante, que tentou conquistar a confiança dos napolitanos com uma política voltada para a promoção cultural e urbanística da cidade, apesar de ser um homem indiferente à cultura. Ferrante dedicou-se ao desenvolvimento do artesanato, chamando à corte de toda a Itália os maiores fabricantes de seda, ourives e curtidores, e cercou Nápoles com vinte e duas torres cilíndricas, saneou-a e melhorou a administração da justiça. Contra ele, porém, conspiraram os barões, que, motivados pelo aumento dos impostos, se reuniram na famosa conspiração, em 1485. Ferrante os descobriu e os mandou executar ou os exilou na França no ano seguinte. O domínio aragonês estava, naqueles anos, minado pelas grandes potências europeias, que disputavam o território italiano. Após a morte de Ferrante, a coroa passou em poucos anos para Alfonso II e depois para Ferrantino, foi então ameaçada por Carlos VIII, Rei da França, pertencente à casa dos angevinos, chamado à Itália por Ludovico il Moro. Afastada a ameaça francesa, Ferrantino foi chamado de volta, e depois dele a coroa foi novamente para Frederico III, o último dos aragoneses, que tentou governar com inteligência e cautela. O domínio aragonês em Nápoles terminará, porém, em 1503, quando Fernando, o Católico, conquistará o reino graças a Don Consalvo de Cordoba, e Nápoles será reduzida a uma província periférica no imenso império espanhol. Mas disso falaremos no próximo episódio...************************************************************************************Quinto episódio da coluna sobre os #redinapoli! A quinta estátua na fachada do Palácio Real de Nápoles é dedicada a e é obra de Vincenzo Gemito. Carlos herdou em 1506 o reino de Castela e as terras do Novo Mundo do pai Filipe de Habsburgo, o Belo, arquiduque da Áustria e senhor dos Países Baixos. Carlos tinha apenas seis anos na época, e por isso o reino foi administrado pelo avô materno, Fernando, o Católico, até atingir a maioridade. Em 28 de junho de 1519 foi eleito Sacro Imperador Romano com o nome de Carlos V e em 1529, após a batalha de Pavia e o saque de Roma, impôs a paz de Cambrai à França e a de Barcelona ao pontífice, afirmando seu domínio também na Itália, e recebendo, no ano seguinte, a coroa de ferro de rei da Itália e a coroa imperial do Papa Clemente VII. O império de Carlos V compreendia grande parte da península italiana: Nápoles, Palermo, Cagliari, Milão, Gênova, Florença e as capitais dos ducados do Pó e era baseado numa ideia de paz universal, garantida pelo cristianismo. Nápoles perde o papel de capital e decai para o de província, o governo é confiado aos vice-reis espanhóis. O primeiro, e o mais importante, é certamente Don Pedro de Toledo, que governou Nápoles por vinte anos, de 1532 a 1553. Don Pedro implementou um verdadeiro plano urbanístico em Nápoles: construiu a rua que leva seu nome, alocando as tropas espanholas no bairro de Montecalvario, naqueles que depois foram chamados de "bairros espanhóis". Estendeu as muralhas até Vomero e Chiaia, e restaurou algumas das fortalezas napolitanas, como o Castel Sant'Elmo, que assumiu a forma de estrela de seis pontas, a mesma que vemos hoje. A Pedro de Toledo também se deve a instituição do tribunal da Vicaria, que em dezoito anos enforcou cerca de dezoito mil bandidos locais, e a dos Montes de Piedade (organismos formados por , que o vice-rei institui para resolver o problema da multidão de agiotas judeus na cidade. A política em relação aos barões foi tendencialmente severa: estes haviam sido reduzidos a simples proprietários de terras, e muitas vezes viviam de renda, longe dos feudos, dissipando seu patrimônio entre luxo e ostentação, mas Pedro de Toledo implementou uma série de pragmáticas contra eles, para combater abusos no âmbito comercial e jurídico. Infelizmente, porém, a corrupção também se espalhava entre os magistrados, e por isso as ações punitivas dos vice-reis muitas vezes não tinham efeito. Criminalidade e usura se difundiram facilmente na cidade. A política conduzida pelos vice-reis era muito menos severa, além disso, em relação aos próprios soldados espanhóis, que estabeleceram com a plebe napolitana relações de promiscuidade, contagiando-os tanto com os defeitos espanhóis - como palavrões e superstição - quanto com doenças. Muitos termos de origem espanhola no dialeto napolitano datam justamente desse período. Pulularam conventos e igrejas, e apesar da proibição - desde 1566 - de construir fora das muralhas, devido ao crescimento demográfico desmedido, formaram-se núcleos habitados em Mergellina, nos Vergini, em Sant'Antonio Abate, na Avvocata e em outros bairros napolitanos. Mesmo após a morte de Pedro de Toledo, na verdade, para Nápoles veio um período nada próspero. No decorrer do século XVII floresceram as artes, com o barroco napolitano e com a presença de artistas como Cosimo Fanzago e Michelangelo Merisi da Caravaggio em Nápoles, mas a plebe viveu uma situação de prolongada miséria, agravada também pelas numerosas epidemias de peste. GuzmánGuzmánEm 1643, por obra do vice-rei Ramiro de Guzmán, que se casou com a nobre Anna Carafa, foram tornadas transitáveis as rampas de Sant'Antonio a Posillipo, ligação entre a colina e a cidade baixa, justamente onde ficava o palácio Donn'Anna, construído por Cosimo Fanzago para Anna Carafa. Poucos anos depois, em 1647, o povo napolitano, incitado pelo jovem Masaniello, uniu-se em uma revolta popular, devido a um imposto sobre frutas, portanto sobre um bem primário. À revolta de Masaniello seguiu-se a terrível peste de 1656, que, além de dizimar a população, fez nascer, em Nápoles, o "culto das capuzzelle". O século XVIII trouxe o fim do período do vice-reinado e introduziu a dinastia bourbon, que governou até a unificação da Itália. Antes da chegada dos Bourbons a Nápoles, haverá um parêntese (de 1707 a 1734) de domínio austríaco, pouco significativo para a cidade. O restante descobriremos no próximo episódio... (Fonte: "A história de Nápoles" de Antonio Ghirelli)

